PDF acessível: leitores de tela e boas práticas
Como fazer um PDF que leitores de tela conseguem ler: texto real, marcação de estrutura, ordem de leitura e o que a legislação brasileira exige.
Um PDF pode parecer perfeito na tela e ser completamente inútil para quem usa leitor de tela. A pessoa abre o arquivo e ouve silêncio, ou ouve as informações numa ordem embaralhada que não corresponde ao que está desenhado na página. Isso acontece o tempo todo com edital, apostila, boleto e formulário — documentos que, quando ficam inacessíveis, excluem alguém de um direito, não apenas de uma leitura.
A causa está na natureza do formato. O PDF descreve posições, não significado. Ele sabe que existe um texto grande no alto da página, mas não sabe que aquilo é um título. Não sabe que aquela sequência de números é uma tabela, nem em que ordem as colunas devem ser lidas. Quem constrói o documento precisa dizer isso explicitamente, através da marcação de estrutura. Sem essa camada, o leitor de tela improvisa — e improvisa mal.
Por onde começar
O guia PDF acessível reúne o essencial: o que é a marcação de tags, como definir a ordem de leitura, por que toda imagem precisa de texto alternativo e como testar o documento antes de publicar. Serve tanto para quem produz material institucional quanto para quem só quer que o próprio arquivo funcione para todo mundo.
Se o seu problema é um documento escaneado, o primeiro passo não é acessibilidade — é OCR. Enquanto a página for uma fotografia, não existe nada para o leitor de tela ler. O reconhecimento cria o texto; a estrutura vem depois. É a ordem que resolve a maioria dos casos reais, porque grande parte dos PDFs inacessíveis no Brasil é papel digitalizado sem tratamento nenhum.
O que você encontra aqui
O tema cobre desde o mínimo até o refinamento. O mínimo é texto real em vez de imagem, e é onde mora o maior ganho por esforço investido. Depois vêm os títulos marcados como títulos, que permitem navegar o documento por seções em vez de ouvir tudo de cabo a rabo. Depois a ordem de leitura, o texto alternativo das imagens, o idioma declarado do documento — detalhe pequeno que evita um leitor de tela pronunciar português com sotaque de inglês.
Falamos também de contraste, tamanho de fonte e da diferença entre acessibilidade e legibilidade, que não são a mesma coisa. E do lado normativo: a Lei Brasileira de Inclusão exige acessibilidade em conteúdo de órgãos públicos, e o PDF/A tem variantes que incorporam requisitos de acessibilidade para arquivamento.
Quem cria os documentos tem uma vantagem enorme: é muito mais fácil nascer acessível do que ser consertado depois. Estruturar títulos no Word antes de exportar economiza um trabalho penoso de remarcação no PDF pronto. Os estilos de título que quase ninguém usa são justamente o que vira estrutura na exportação.
Se você não tem como fazer tudo, faça uma coisa: garanta texto real. Um PDF com texto e sem marcação nenhuma ainda pode ser lido, ainda que sem elegância. Um PDF que é só imagem não pode ser lido de jeito nenhum. A distância entre esses dois é maior que todo o resto somado.
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