Glossário Fundamentos

PDF/A

Também conhecido como: PDF for Archive · PDF de arquivamento · ISO 19005

PDF/A é uma variação normatizada do PDF criada para arquivamento de longo prazo. Ela proíbe recursos que podem parar de funcionar no futuro e obriga o arquivo a ser autossuficiente.

Imagine abrir um documento de 1998 hoje. Se ele depender de uma fonte que sumiu, de um plugin descontinuado ou de um vídeo hospedado num servidor que saiu do ar, você vê um arquivo quebrado. O PDF/A nasceu para que isso não aconteça. É o mesmo PDF de sempre, com um conjunto de regras que remove tudo que tem prazo de validade.

A norma é a ISO 19005, publicada em 2005. A letra “A” vem de archive. Não é um formato separado — um PDF/A abre em qualquer leitor comum, inclusive no Chrome. A diferença está nas restrições que o arquivo se compromete a respeitar.

Por que existe

A regra central é a autossuficiência: tudo que o documento precisa para se desenhar tem que estar dentro dele. As fontes são obrigatoriamente incorporadas, mesmo Arial e Times New Roman. Nada de “usa a fonte do sistema”, porque o sistema de 2055 pode não ter.

A partir daí vem a lista do que fica proibido. JavaScript, porque é código executável e ninguém garante que o interpretador vai existir. Áudio e vídeo, pelo mesmo motivo. Conteúdo externo por link, porque o servidor cai. Criptografia, porque a senha se perde e a chave envelhece. Transparência, em alguns níveis da norma, por gerar renderização ambígua.

Em troca, o PDF/A exige metadados XMP padronizados e uma marcação interna que declara qual nível está sendo cumprido. Os níveis mais comuns são o PDF/A-1b, que garante só a aparência, e o PDF/A-2u ou A-3a, que garantem também que o texto seja extraível e a estrutura, acessível.

Na prática

No Brasil, o PDF/A aparece com frequência em processo judicial eletrônico. Vários tribunais só aceitam petições e anexos em PDF/A, e o sistema rejeita o envio se o arquivo não estiver conforme. Universidades pedem PDF/A para depósito de teses e dissertações nos repositórios institucionais. Órgãos públicos usam para atas, contratos e prontuários que precisam durar décadas.

Gerar um é simples no Word: em Salvar como PDF, abra Opções e marque “Compatível com PDF/A”. No LibreOffice, a opção está na própria tela de exportação. O Acrobat tem um assistente que converte e reporta o que teve de mudar.

O preço da durabilidade

Arquivos PDF/A costumam ficar maiores que o PDF comum. A incorporação de fontes cobra seu espaço, e a norma limita alguns métodos de compressão mais agressivos. Também não dá para proteger um PDF/A com senha — a norma proíbe. Se o documento é sigiloso e precisa de arquivamento, a proteção tem que vir de fora, no sistema que guarda o arquivo.

Para entender os níveis de conformidade em detalhe, veja o guia sobre PDF/A.

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