XMP

Também conhecido como: Extensible Metadata Platform · Metadados XMP

XMP é um padrão de metadados criado pela Adobe que guarda informações dentro do próprio arquivo, em formato XML. Registra autor, datas, software e até o histórico de edições.

XMP é a sigla de Extensible Metadata Platform. A Adobe criou o padrão em 2001 e depois o entregou à ISO, onde virou norma. A ideia era resolver uma bagunça: cada formato guardava metadados do seu jeito, o PDF de um jeito, o JPEG de outro, o TIFF de um terceiro, e nada conversava.

O XMP propôs um bloco de XML padronizado que pode ser embutido em qualquer tipo de arquivo. O mesmo bloco, com a mesma gramática, viaja dentro de um PDF, de uma foto ou de um vídeo. Quem lê XMP lê em todos.

Como funciona

Dentro do arquivo existe um trecho de texto XML — dá para abrir num editor de texto e enxergar a olho nu, no meio dos bytes binários. Ele descreve propriedades organizadas em esquemas: o esquema Dublin Core cuida de título, autor e assunto; o esquema Rights guarda licença e direitos; o esquema Basic registra datas de criação e modificação e qual ferramenta gerou o arquivo.

A parte “extensível” do nome é literal. Qualquer empresa pode criar o próprio esquema e enfiar campos novos ali, sem quebrar quem não os entende. Softwares de fotografia usam isso para guardar ajustes de revelação. Sistemas de gestão documental usam para carimbar número de processo.

O recurso que mais surpreende é o histórico. O esquema xmpMM registra a linhagem do documento: qual arquivo deu origem a qual, quais softwares tocaram nele e quando. Um PDF pode carregar a lista de todas as etapas por que passou.

O PDF acaba tendo dois lugares para metadados: o dicionário Info, mais antigo e simples, e o bloco XMP, mais rico. Eles podem discordar entre si, o que às vezes explica por que um programa mostra um autor e outro mostra outro.

Na prática

É aqui que o XMP deixa de ser curiosidade e vira risco.

Você monta uma proposta comercial em cima da proposta de outro cliente, salva com nome novo, gera o PDF e envia. O XMP pode carregar o nome do arquivo original, o usuário da máquina, o nome da empresa registrada no Office e as datas que revelam que aquele “documento feito para você” nasceu três meses antes.

Advogados já entregaram petições que revelavam o nome do estagiário e o caminho da pasta no servidor. Órgãos públicos já publicaram editais cujo XMP entregava a empresa que redigiu o rascunho. A informação não aparece na página — mas está no arquivo, e qualquer um lê.

Antes de publicar ou enviar algo sensível, inspecione e limpe os metadados. Isso vale ainda mais se o documento passou por redação: tarjar o CPF na página e deixar o título original no XMP anula o trabalho todo.

Quando o XMP é obrigatório

Nem sempre você quer apagar. O PDF/A exige XMP corretamente preenchido — é ele que declara qual nível de conformidade o arquivo cumpre. Sem esse bloco, o validador rejeita.

O guia sobre metadados de PDF mostra como ler e editar cada campo.

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