Vetorial
Também conhecido como: Gráfico vetorial · Vetor · Vector
Vetorial é o gráfico descrito por fórmulas matemáticas — pontos, curvas e áreas — em vez de uma grade de pixels. Por isso ele pode ser ampliado sem nunca perder nitidez.
Existem duas maneiras de guardar um desenho num computador. Uma é anotar a cor de cada pontinho de uma grade — é a imagem, o bitmap, a foto. A outra é anotar a receita: “circunferência de raio 40 centrada em (100, 100), contorno preto de 2 pontos, preenchimento vermelho”. Essa segunda é a vetorial.
A diferença parece filosófica e é totalmente prática. A grade tem um tamanho fixo, e ampliar significa esticar pixels até virarem quadradinhos. A receita não tem tamanho — ela é redesenhada do zero, na hora, em qualquer escala. Por isso o círculo vetorial fica liso com zoom de 50% ou de 5000%.
Por que existe
A vantagem principal é a independência de escala. O mesmo arquivo serve para o cartão de visita e para o outdoor, sem versão separada e sem borrão. Um logo vetorial é desenhado uma vez e vive para sempre.
A segunda é o tamanho. A receita de uma planta baixa inteira — centenas de linhas, cotas, hachuras — cabe em alguns quilobytes. A mesma planta como imagem em 300 PPP passa dos 20 MB. Descrever é mais barato que fotografar, quando o desenho tem geometria.
A terceira é a editabilidade. Se a receita diz “linha de (0,0) a (100,50)”, dá para mudar o ponto final. Numa imagem, a linha é só um rastro de pixels — para mexer nela é preciso repintar tudo em volta.
Na prática
É aqui que a coisa se conecta ao PDF. O texto de um PDF gerado a partir do Word é vetorial: cada letra é uma fonte incorporada com o contorno descrito por curvas. Por isso você abre um contrato no celular, dá zoom até a letra ocupar a tela inteira, e ela continua com a borda perfeita.
Faça o teste no seu próprio arquivo. Abra um PDF vindo do Word no Chrome e amplie até 800%. O texto segue liso. Agora abra um PDF escaneado e amplie o mesmo tanto: as letras viram manchas quadradas. O primeiro é vetorial. O segundo é imagem embrulhada em PDF — e é por isso que ele precisa de OCR para virar pesquisável.
O mesmo vale para tabelas, linhas, logos e gráficos gerados por programa. Tudo isso entra no PDF como geometria, não como foto. As fotos que você insere continuam sendo fotos, claro — um PDF costuma misturar os dois mundos na mesma página.
Onde o vetor acaba
Foto não é vetorizável de forma útil. O rosto de uma pessoa não tem receita — tem milhões de variações de tom que só uma grade de pixels descreve bem. Tentar vetorizar uma fotografia produz aquelas manchas chapadas de pôster.
O caminho contrário sempre funciona, e é a rasterização: todo vetor pode virar pixel na resolução que você escolher. É o que acontece ao converter um PDF em JPG. A volta é que não existe — depois de virar pixel, a receita se perdeu.